quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Método Quantitativo versus Método Qualitativo

Na escolha do método devemos ter sempre em conta os resultados que advirão da sua escolha e utilização, na medida em que estes nos aproximam ou afastam da realidade a estudar. Qual deles será o mais útil ou adequado para a nossa investigação? Sabe-se, à partida, que quer a abordagem quantitativa, quer a abordagem qualitativa têm natureza completamente diferente, não existindo qualquer hipótese de entre estas se verificar contradição ou continuidade.
Importará, então, ao iniciar o processo de investigação inquirir sobre a natureza do objecto e dos problemas a investigar, de forma a podermos escolher melhor os caminhos metodológicos a seguir. Não quer isto dizer que devamos optar por determinado método, negando as hipóteses de complementaridade que a triangulação com outro método permitirá. Pelo contrário!
A pesquisa ou método científico, normalmente, é definida como quantitativa ou qualitativa em função do tipo de dados recolhidos (sejam eles quantitativos ou qualitativos).
Convém então caracterizar cada um dos métodos, reconhecendo as suas principais características.
A investigação quantitativa caracteriza-se pela actuação nos níveis de realidade e apresenta como objectivos a identificação e apresentação de dados, indicadores e tendências observáveis. Este tipo de investigação mostra-se geralmente apropriado quando existe a possibilidade de recolha de medidas quantificáveis de variáveis e inferências a partir de amostras de uma população.
Usa medidas numéricas para testar hipóteses, mediante uma rigorosa recolha de dados, ou procura padrões numéricos relacionados com conceitos quotidianos. Numa fase posterior, os dados são sujeitos a análise estatística, através de modelos matemáticos (ou software próprio), no sentido de testar as hipóteses levantadas. Como tal, a sua utilização está geralmente ligada à investigação experimental ou quasi-experimental.
Uma das principais características dos métodos quantitativos é tornarem-se fracos ou debilitados em termos de validade interna (medirão o que queriam medir?), muito embora sejam fortes em termos de validade externa, uma vez que os resultados obtidos são generalizáveis para o conjunto da comunidade. Pode-se afirmar que se estabelece então uma relação causa-efeito e se procede a uma previsão dos fenómenos.
Graças à sua natureza rigorosa e meticulosa, este método implica o aprofundamento na revisão da literatura e a elaboração pormenorizada de um plano de investigação bem gizado em termos de objectivos e devidamente estruturado.
A investigação qualitativa, ao inverso da investigação quantitativa trabalha com valores, crenças, representações, hábitos, atitudes e opiniões. Este tipo de investigação é indutivo e descritivo, na medida em que o investigador desenvolve conceitos, ideias e entendimentos a partir de padrões encontrados nos dados, em vez de recolher dados para comprovar modelos, teorias ou verificar hipóteses. Embora estes métodos sejam menos estruturados proporcionam, todavia, um relacionamento mais extenso e flexível entre o investigador e os entrevistados. O investigador é, portanto, mais sensível ao contexto. Isto significa que, ao contrário dos métodos quantitativos, os investigadores trabalham através destes métodos, com a subjectividade, com as possibilidades quase infinitas de exploração que a riqueza dos detalhes pode proporcionar.
Este tipo de investigação contempla uma visão holística, na medida em que as situações e os indivíduos são vistos como um todo e estudados numa base histórica.
Os métodos qualitativos empregam, na sua generalidade, procedimentos interpretativos, não experimentais, com valorização dos pressupostos relativistas e a representação verbal dos dados (privilegia a análise de caso ou conteúdo), por contraposição à representação numérica, à análise estatística, à abordagem positivista, confirmatória e experimental proporcionada pelos métodos quantitativos.
Em termos de validação, observa-se também diferenciação em relação aos métodos quantitativos. Os métodos qualitativos têm maior validade interna (uma vez que traduzem as especificidades, as características do grupo estudado), embora sejam débeis em termos de sua possibilidade de generalizar os resultados para toda a comunidade (validade externa).
Desta dualidade de validação pode verificar-se a complementaridade que antevíamos. O investigador ao contar com os dados obtidos através da utilização dos dois métodos (triangulação) conseguirá, sempre, garantir níveis melhorados de validação (ou validade) interna e externa.





Referências Bibliográficas


Bogdan, R; Biklen, S. (1994): Investigação Qualitativa em Educação. Porto: Porto Editora
Fernández, P. S. & Díaz, P. S., Investigación cuantitativa y cualitativa, A Coruña (España), Cad Aten Primaria 2002; 9: 76-78.
Disponível em http://www.fisterra.com/mbe/investiga/cuanti_cuali/cuanti_cuali.asp

Freitas, H.; Janissek-Muniz, R.; Moscarola, J. Modelo de formulário interativo para análise de dados qualitativos. Revista de Economia e Administração, São Paulo-SP, v. 4, nº 1, p. 27-48, Janeiro/Março 2005

Freitas, H.; Janissek-Muniz, R.; Moscarola, J. Técnicas de análisis de datos cualitativos. In: Consejo Latinoamericano de Escuelas de Administración, CLADEA 2005, Santiago do Chile. Anais... Santiago do Chile, Outubro 2005, 19p.

Mayring, Philipp (2000, June). Qualitative Content Analysis [28 paragraphs]. Forum Qualitative Sozialforschung / Forum: Qualitative Social Research [On-line Journal], 1(2).
Available at: http://www.qualitative-research.net/fqs-texte/2-00/2-00mayring-e.htm

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Este espaço, aberto a todos os colegas e Professores do Mestrado em Supervisão Pedagógica 2007/2009, da Universidade Aberta, pretende consignar temas e reflexões sobre vivências, experiências e novas aprendizagens, no âmbito da unidade curricular de Investigação Educacional.