segunda-feira, 30 de junho de 2008

Tema 5 - Questões Éticas na Investigação Educacional

Lançamento do Tema

Neste último tema da unidade curricular de Investigação Educacional que decorreu entre os dias 18 e 23 de Junho propunha-se uma abordagem mais desprendida e pessoal sobre o tema das questões éticas na Investigação Educacional, sobre a qual se operaria a discussão em fórum, de forma completamente mediada e moderada pelos discentes do curso de mestrado.
Para além do site “Ethical Standards” disponibilizado nos recursos, promovia-se a pesquisa livre e complementar de outros textos considerados relevantes.

Reflexão sobre o Tema 4 - Análise e tratamento de dados


O Tema 4 da unidade curricular de Investigação Educacional, reportava-se às técnicas de análise de dados, qualitativas e quantitativas.
Depois de, numa primeira fase se ter realizado o estudo individual sobre as diversas técnicas qualitativas e quantitativas de análise de dados, realizou-se a análise individual e resolução de problemas, visando a exploração de duas dissertações, já referidas em posts anteriores, no que se referia às técnicas quantitativas e qualitativas de análise de dados. Esta actividade decorreu de forma célere e bastante facilitada, na medida, em que se fez um refresh das metodologias e técnicas quantitativas e qualitativas abordadas no primeiro tema desta unidade curricular.
Nas fases seguintes realizou-se o trabalho autónomo que compreendia a análise de duas dissertações facultadas pelas docentes no espaço da unidade curricular. Da primeira dissertação lida foram analisados os dados recolhidos através do questionário utilizado (análise quantitativa). Na segunda dissertação importava reflectir sobre a análise de conteúdo obtida através de uma entrevista e sobre a possibilidade de utilização de outras metodologias de análise qualitativa.
Refira-se que a segunda fase, tendo em conta, a análise estatística e a possibilidade de utilização de testes paramétricos ou não paramétricos, encerrava algum grau de dificuldade. Essa dificuldade, refira-se foi ultrapassada através da disponibilização de novas orientações e recursos pelas docentes e pela consulta de outro material bibliográfico (que referimos em post anterior neste blog).
Por último, na quarta fase, previa-se a discussão, em fórum geral, relativamente às técnicas quantitativas e qualitativas de análise de dados, atendendo às diferenças entre as duas técnicas e aos factores de fiabilidade e validade inerentes a cada uma delas. Face à grande dificuldade de tempo para a participação no fórum, não foi possível a participação pessoal desejada, perspectivando uma maior compreensão e à vontade pela temática.

domingo, 29 de junho de 2008

Escolha de Testes Estatísticos

Estatística Prática para Docentes e Pós-Graduandos


de Geraldo Maia Campos


A escolha do teste mais adequado
Testes paramétricos e não-paramétricos.


Os testes estatísticos podem ser divididos em dois grandes grupos, conforme fundamentem ou não os seus cálculos na premissa de que a distribuição de freqüências dos erros amostrais é normal, as variâncias são homogêneas, os efeitos dos fatores de variação são aditivos e os erros independentes. Se tudo isso ocorrer, é muito provável que a amostra seja aceitavelmente simétrica, terá com certeza apenas um ponto máximo, centrado no intervalo de classe onde está a média da distribuição, e o seu histograma de freqüências terá um contorno que seguirá aproximadamente o desenho em forma de sino da curva normal. O cumprimento desses requisitos condiciona pois a primeira escolha do pesquisador, uma vez que, se forem preenchidos, ele poderá utilizar a estatística paramétrica, cujos testes são em geral mais poderosos do que os da estatística não-paramétrica, e conseqüentemente devem ter a preferência do investigador, quando o seu emprego for permitido.


O que são testes paramétricos?
Os termos paramétrico e não-paramétrico referem-se à média e ao desvio-padrão, que são os parâmetros que definem as populações que apresentam distribuição normal. Essa observação já foi feita e repetida muitas vezes neste texto. Volto a reafirmá-la, todavia, porque tenho visto muitas vezes artigos científicos, além de trabalhos e teses acadêmicas, em que se usaram testes não-paramétricos, mas os resultados eram apresentados em termos de média ± desvio-padrão da distribuição, ou então em termos de média ± erro-padrão da média, erro este que é também um valor calculado em função do desvio-padrão da amostra.



Os parâmetros da curva normal.
Ora, de qualquer conjunto de valores numéricos pode-se calcular a média, porém, desvio-padrão, somente as curvas normais o possuem, uma vez que, por definição, "desvio-padrão é o ponto de inflexão da curva normal" — e de mais nenhuma outra. São eles em número de dois e simétricos em relação à média da distribuição. Portanto, curvas assimétricas jamais podem ter desvio-padrão porque, mesmo que tenham pontos de inflexão, como os possuem muitas outras curvas matemáticas, eles dificilmente seriam simétricos em relação à média. Enfim, mesmo que distribuições experimentais possam apresentar alguma assimetria, esta deve manter-se dentro de certos limites, aceitáveis em termos estatísticos — e aceitáveis porque atribuídos à variação casual determinada pelos erros não-controlados de amostragem, ou seja, à variação do acaso, típica das variáveis e amostras chamadas aleatórias.



Desvio-padrão e testes não-paramétricos.
Quando um pesquisador utiliza testes não-paramétricos, supõe-se que a distribuição de seus dados experimentais não seja normal, ou que ele não tenha elementos suficientes para poder afirmar que seja. Na dúvida quanto a essa informação, nada impede que ele opte pelo uso da estatística não-paramétrica. O que ele não pode fazer, de modo algum, é argumentar em termos de desvios ou erros padrões, embora possa perfeitamente fazê-lo pura e simplesmente em termos de médias.


Qual teste usar, sejam paramétricos ou não-paramétricos?
Qualquer que seja pois a opção do pesquisador, a essa altura de sua investigação científica ele se acha diante de mais um dilema: qual, dentre os muitos testes estatísticos existentes em ambas as categorias acima citadas, seria o mais apropriado, no caso específico de seu trabalho, ou do modelo matemático de seus ensaios? Que elementos desse modelo matemático condicionariam a opção por um ou outro desses testes? Em geral a resposta está contida no próprio modelo experimental de cada pesquisa. Os detalhes adicionais que devem orientar a escolha do teste são:
a) a existência ou não de vinculação entre dois ou mais fatores de variação; b) o número de componentes da amostra, que vão ser comparados.
De fato, seja qual for o tipo de estatística escolhida, paramétrica ou não-paramétrica, há testes especificamente destinados a amostras em que há independência entre os fatores de variação, e outros para amostras em que existe vinculação ou dependência entre eles. Da mesma forma, o número de comparações a serem realizadas pelo teste é também importante, porque há testes elaborados para comparar apenas duas amostras, e há outros destinados a comparações múltiplas, entendendo-se como múltiplas um número de comparações superior a dois. Num experimento fatorial, por exemplo, em que há fatores colocados nas colunas, nas linhas e nos blocos, o número de comparações é fornecido pela multiplicação do número de colunas, pelo número de linhas e pelo número de blocos. Enfim, o produto fatorial é semelhante ao usado para calcular o número total de dados da amostra, só não entrando no cálculo o número de repetições. Assim sendo, no caso do experimento fatorial que, a partir de alguns capítulos atrás, nos vem servindo de exemplo — com 4 colunas, 3 linhas e 2 blocos — o número de comparações possíveis, incluindo-se nele não só os fatores de variação principais mas também todas as interações possíveis entre eles, seria: 4 x 3 x 2 = 24 comparações. Classificação dos testes estatísticos (GMC versão 7.5): O diagrama abaixo esquematiza as subdivisões dos testes estatísticos, listando os mais comumente utilizados na prática:
Alguns desses testes usam números como variável, outros usam sinais + e – , outros usam valores fixos, como 1 e 0, e outros ainda utilizam freqüências. Esses testes evidentemente estão todos incluídos no grupo dos testes não-paramétricos, simplesmente porque não usam os parâmetros média e desvio-padrão em seus cálculos.




A filosofia de cada teste estatístico.
Após a conclusão destes conceitos iniciais e dos conhecimentos básicos que se deve ter sobre os métodos estatísticos, serão incluídos neste texto alguns breves comentários sobre cada um dos testes listados acima. São resumos sobre o que chamei de Filosofia do Teste, e neles procurei dar uma idéia geral sobre o que tinha em mente o criador de cada um deles, e a quais modelos matemáticos eles se adaptam, bem como em quais circunstâncias cada qual poderia ser utilizado. Mas são apenas observações condensadas, que evidentemente os interessados poderão ampliar, pela leitura e pelo estudo mais aprofundado em compêndios mais elaborados do que este, sobre a Ciência Estatística, que os há em grande quantidade.



Apresentação dos resultados dos testes.
Uma vez realizados os testes adequados, estes dão o seu parecer, sob a forma de um valor numérico, apresentado (conforme o teste) como valor de F (análise de variância), de t (teste t, de Student), U (Mann-Whitney), Q (teste de Cochran), c² (letra grega qui, testes diversos, que usam o chamado qui-quadrado), z (McNemar e Wilcoxon), H (Kruskal-Wallis), ou r (letra grega rho, utilizada nos testes de correlação, que serão focalizados mais adiante, neste texto).



Não-significância estatística (H0).
Seja como for, o valor numérico calculado pelo teste deve ser confrontado com valores críticos, que constam em tabelas apropriadas a cada teste. Essas tabelas geralmente associam dois parâmetros, que permitem localizar o valor crítico tabelado: nível de probabilidades (usualmente 5 % [a = 0,05], ou 1 % [a = 0,01]), e o número de graus de liberdade das amostras comparadas. Valores menores que o tabelado indicam que ele não pode ser considerado diferente do que se obteria se as amostras comparadas fossem iguais. Enfim, estaria configurado o que se chama de não-significância estatística, ou de aceitação da hipótese zero, ou de nulidade (H0).



Significância estatística (H1).
Porém, se o valor calculado for igual ou maior que o tabelado, aceita-se a chamada hipótese alternativa (H1), ou seja, a hipótese de que as amostras comparadas não podem ser consideradas iguais, pois o valor calculado supera aquele que se deveria esperar, caso fossem iguais, lembrando sempre que a igualdade, em Estatística, não indica uma identidade. Isso quer dizer que pode eventualmente haver alguma diferença, mas esta não deve ultrapassar determinados limites, dentro dos quais essa diferença decorre apenas da variação natural do acaso, típica da variação entre as repetições do ensaio. No caso de o valor calculado ser maior do que o valor tabelado, diz-se que há significância estatística, que pode ser ao nível de 5 %, se o valor calculado for maior que o valor tabelado para 5 %, porém menor que o tabelado para 1 %. Ou ao nível de 1 %, caso o valor calculado seja igual ou maior que o valor tabelado para 1 %.




Retirado de http://www.forp.usp.br/restauradora/gmc/gmc_livro/gmc_livro_cap14.html

Análise de Dados - Estatística

Para consulta e utilização futura, deixamos aqui alguns links referentes à análise estatística.

http://www.saudepublica.web.pt/03-Investigacao/031-EpiInfoInvestiga/dedutiva.htm
http://www.statsoft.com/textbook/stathome.html
http://www.itl.nist.gov/div898/handbook/
http://www.math.uah.edu/stat/
http://www.vademecum.com.br/iatros/Testes.htm
http://docentes.ismt.pt/~margarida_pocinho/nao-parametricas.ppt#256,1,Estatísticas
http://www.esa.ipb.pt/combatinta/ficheiros/doc/abstract/importancia_da_analise_de_dados_em_investigacao.pdf
http://www.joinville.udesc.br/departamentos/dmat/dma2eh/octaveEST/octave6.pdf
http://www.forp.usp.br/restauradora/gmc/gmc_livro/gmc_livro_cap14.html
http://www.socio-estatistica.com.br/Edestatistica/dicas_tabelas.htm

Problema 2, referente à análise qualitativa de dados

Relativamente ao Problema 2, sobre a análise qualitativa de dados, era-nos pedido que retomássemos a dissertação “Processos de Liderança e Desenvolvimento Curricular no 1º Ciclo do Ensino Básico: Estudo de Caso” e que, privilegiando o estudo empírico realizado nesta investigação, nomeadamente, a análise de dados, produzíssemos uma reflexão em torno das seguintes questões:

1) Se desenvolvesse uma investigação centrada no objecto de estudo desta dissertação, escolheria a entrevista como método de recolha de informação?

Relativamente a esta questão sou levado a responder afirmativamente. Não só escolheria a entrevista como um dos métodos de recolha de informação, como optaria por um tipo de entrevista semi-estruturada (Bogdan) ou semi-directiva (Quivy), tal como a autora. Todavia, não excluiria outro tipo de métodos de recolha de informação, tal como a análise de documentos pessoais e oficiais (referida também pela autora) e a observação com o recurso à realização de notas de campo.

2) Os procedimentos adoptados para a análise das entrevistas adequam-se aos objectivos da investigação?

Parece-me que sim, uma vez que a autora manifesta preocupação com o registo áudio para transcrição integral das entrevistas e com a sua validação posterior por parte dos entrevistados. A autora procede a uma abordagem indutiva através de uma análise de conteúdos, alicerçada numa escolha de temas e categorização realizada previamente, e a uma abordagem também dedutiva, com base na concepção de nova categorização resultante das respostas dos entrevistados.

3) Quais são as principais etapas de análise de conteúdo seguidas pela autora?

Com base na resposta à questão anterior é perceptível a tentativa, a meu ver bem conseguida, de confrontar padrões de resposta dos respondentes segundo um tema específico e uma categorização bem delimitada. Essa aglutinação segundo categorização específica, permite a realização de comparações entre perfis de entrevistados distintos.

4) A análise de conteúdo revela-se um método adequado para o tratamento da informação recolhida?

Para o tipo de análise pretendido, a análise de conteúdos parece-me o método mais adequado para o tratamento da informação recolhida, uma vez que a autora consegue, dessa forma, filtrar muita da informação recolhida, categorizando-a devidamente.

5) De acordo com as leituras que realizou, poderiam ter sido seguidas outras metodologias de análise das entrevistas?

É de referir, de acordo com outras leituras realizadas, a hipótese de se ter podido também recorrer a uma análise léxica, tendo em conta o teor do estudo (ver a propósito artigo de Freitas, H. sobre Técnica inovadora para análise de dados qualitativos, cuja referência se deixa em anexo Bibliográfico). Como outras metodologias ao serviço da análise de dados poderíamos optar pela análise semiótica e a “Grounded theory”
Paralelamente à utilização das técnicas de análise já referidas, refira-se a forte predominância de utilização de diverso software para análise de dados. Para o efeito, poderíamos utilizar o Sphinx Léxica[1] (mistura de análise léxica e de conteúdos), podem ser utilizados outros programas informáticos para análise de dados, como o ATLAS/ti e winMAX[2].

6) Compare a sistematização da análise de conteúdo realizada pela autora com os outputs parciais publicados no espaço de documentos sobre análise qualitativa (“Análise Qualitativa.Tratamento” e Análise Qualitativa.Quadros). Que comentários lhe sugerem as diferenças que identifica?

O único comentário que me parece oportuno fazer, no que diz respeito a esta questão, prende-se com o facto de a autora desta dissertação não ter recorrido ao tratamento informático dos dados recolhidos (pelo menos não lhe faz referência!). Enquanto, que a autora sistematiza tipos de respostas segundo os objectivos e a categorização delineada, escolhendo transcrições para permitir conotação com a sua própria interpretação, a análise informática de dados, visível nos outputs dos referidos documentos, poderia sugerir outro tipo de análise e interpretação das respostas obtidas.



Referências Bibliográficas utilizadas:

Bogdan, R. & Bliken, S. Investigação Qualitativa em Educação. Porto. Porto Editora. 2004

Freitas, H.. Técnica Inovadora para análise de dados qualitativos. Porto Alegre: I SBSI – Simpósio Brasileiro de Sistemas de Informação, PUCRS-UFRGS-UNISINOS-UCS, 13-14 Outubro 2004, p. 205-212

Bem Vindo(a)

Este espaço, aberto a todos os colegas e Professores do Mestrado em Supervisão Pedagógica 2007/2009, da Universidade Aberta, pretende consignar temas e reflexões sobre vivências, experiências e novas aprendizagens, no âmbito da unidade curricular de Investigação Educacional.